• Document: O NOMEAR E A NECESSIDADE
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SAUL A. KRIPKE O NOMEARE A NECESSIDADE i INTRODUçAO RICARDO SANTOS TRADUÇÃO RICARDO SANTOSE TERESAFILIPE gradiva Introduçãoà ediçãoportuguesa Saul Kripke nasceu em Nova Iorque em L940 e é um dos mais criativos e influentes filósofos analíticos do nosso têmpo. O Nomeare a Necessidade é a sua obra mais conhecida.Juntamente com o artigo "Identity and Necessity>l (uma apresentaçãomais resumida das mesmas ideias), trata-se da sua obra de estreia como filósofo. É baseadaem três palestras que proferiu na Universidade de Princeton em Janeirode 1970.Kripke tinha então 29 anos e já firmara uma reputação como lógico brilhante, graças à publicação de trabalhos im- portantes sobre lógica modal, lógica intuicionista e teoria da recursão. 1 Originalmente publicado em ldentity and Indioiduation, ed. por Milton K. Munitz, Nova lorque: New York University Press, Reimpressocomo Capítulo 1 em: SaulA. Kripke, 1,97L,pp.1,35-1,64. PhilosophicalTroubles:CollectedPapers,Volume1, Nova lorque: Oxford University Press,2011,pp. 1,-26.Este artigo baseia-senuma palestra dada por Kripke na Universidade de Nova Iorque cerca de um mês depois das palestras de Princeton. ONOM EARE ANECESSIDA D E IN TR o D U Ç Ão Foi durante a sua adolescência,nos anos cinquenta, uma lógica modal madura, com um sistema dedutivo que Kripke se interessoupela lógica modal - a lógica e uma semântica formal em harmonia entre si, e com do necessárioe do possível,que procura formalizar o uma interpretação intuitivamente aceitável. Ele próprio raciocínio correcto acercadas relaçõesentre a maneira trabalhava nesse sentido e, em artigos que publicou como as coisassão,a maneira como elastêrndeser e as entre 1959 e1965, acabou por contribuir decisivamente diferentes maneiras como poderiamser. Aos 18 anos, (em conjunto com Stig' Kangeq, Richard Montague e era estudante de licenciatura na Universidade de Jaakko Hintikka) para a criação da chamada ,,semân- Harvard quando conseguiu a proeza de publicar, no tica dos mundos possíveis>, que se impôs como a se- prestigiado lournal of SymbolicLogic, um artigo com mântica canónica pata a lógica modal. Mas, por outro uma demonstraçãode completudepara a lógica modal. lado, reconhecia a importância das objecções de Quine. A época era ideal para um jovem talentoso alimentar O princípio invocado por Quine, geralmente conheci- um interessepor lógica modal: tratava-sede um ramo do por princípio da indiscernibilidade dos idênticos da lógica matemática moderna que estava naquele (ou de Leibnizrr), diz que se x e y são o mesmo "lei preciso momento a desenvolver-se,acompanhado de objecto, tudo o que for verdadeiro de r será também uma discussãofilosófica muito acesaacercado possí- verdadeiro de y. Aparentemente, uma das coisas que vel uso ou das possíveis interpretaçõesdos sistemas é verdadeira de qualquer x é ser necessariamente idên- formais propostos. Os principais intervenientes eram tico a tr (pois todos os objectos são necessariamente Rudolf Carnap, W. V. Quine e Ruth Barcan Marcus. idênticos a si próprios). Daqui segue-se que ser neces- Carnap e Marcus foram os primeiros a publica{, nos sariamente idêntico a x é :urr:.apropriedade que y tam- anos 1946-47,sistemasaxiomáticos de lógica modal bém tem, já que x e y são o mesmo. Ou seja, aquele quantificada (quer dizer, sistemasque combinavam a princípio tem como consequência que todas as identi- já bem conhecida lógica de predicados com a lógica dades são necessárias: qualquer afirmação de iden- modal proposicional de C. I. Lewis). E Carnap tentou tidade, se for verdadeira, serâ necessariamente verda- recuperar a ideia leibniziana de conceberas verdades deira. Ma's, ao que parece, muitas identidades são necessáriascomo verdades em todosos mundospossí- contingentes. Um exemplo disso é o que foi celebre- aeis, para lançar as bases de uma semântica formal mente dado por Gottlob Frege, da identidade entre para esta nova lógica. Mas Quine, professor em Héspero e Fósforo. O facto de a primeira <<estrela"visí- FIarvard, era muito crítico do empreendimentoe con- vel à tarde ser a mesma que a última ,.estrela> visível siderava que o projecto de uma tal lógica pouco valor de manhã e o facto de ambas serem afinal o planeta teria. SegundoQuine, alógica modal violava um prin- Vénus correspondem a descobertas empíricas feitas cípio básicode raciocínioe, por isso,não seriapossível pelos astrónomos e, por isso, deve tratar-se de verda- dar-lhe uma interpretaçãoque fizesserealmente sen- des contingentes, pois, como dizia Kant, a

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