• Document: Jorge M. Bergoglio. Educar: exigência e paixão. Papa Francisco. Desafios para educadores cristãos
  • Size: 564.31 KB
  • Uploaded: 2019-08-08 19:51:44
  • Status: Successfully converted


Some snippets from your converted document:

Jorge M. Bergoglio Papa Francisco Educar: exigência e paixão Desafios para educadores cristãos Prefácio É a paixão por algo que faz que gastemos nos- sa energia e nosso tempo na tentativa de aproximar o impulso que sentimos da realidade que nos cerca. Se o educador não for apaixonado pela educação melhor seria que não tivesse essa função. Mais que função, ser educador é uma vocação, um verdadeiro sacerdócio. O prazer de educar deve vir do colocar-se dian- te do discípulo como alguém que quer transmitir algo, transmitir experiência, vida. Mas também quer receber e trocar sabedoria. Ninguém é uma folha em branco, nós temos nossas histórias, nossas bagagens culturais e familiares. Aquele que reconhece a riqueza do outro, esse sim poderá ser um bom educador, será alguém apaixonado pelo ofício. Educar requer algumas exigências, a principal de- las apontada pelo Papa Francisco neste livro, é ser porta- dor da esperança, é a esperança que motiva a utopia, que mantém vivo o sonho, que faz que não esmoreçamos em face dos desafios. A esperança que brota na fé em Cristo deve ser uma armadura que envolve todo educador. 5 “A esperança cristã não é, então, um “consolo espiritual”, uma distração das tarefas sérias que exigem nossa atenção. É uma dinâmica que nos torna livres de todo o determinismo e de todos os obstáculos para construir um mundo de liberdade, para libertar essa história das correntes do egoísmo, da inércia e da injustiça nas quais se tende a cair com tanta facilidade.” O Santo Padre, neste livro, nos convida a refle- tirmos sobre a situação da educação hoje; mais que uma análise, o Papa nos motiva a abraçarmos a educa- ção como um bem que pode salvar o mundo, pois ela é capaz de mudar pessoas. Pe. Luís Erlin, cmf Editor 6 Apresentação A orfandade na qual vive a cultura contem- porânea reaviva a necessidade do reencontro com o Pai. Aqueles de nós que procuram viver todos os dias na presença dele têm o consolo de outras presenças. Pais e mães de sangue e de Espírito (Mt 16,17) ca- minham conosco, nos orientam nas encruzilhadas, nos acompanham no silêncio e com a palavra, nos levantam quando caímos e nos ensinam os segredos do caminho... Neste contexto inserimos as reflexões que Jorge Bergoglio direciona aos educadores católicos, também chamados a curar a orfandade existente em cada crian- ça, em cada jovem, em cada sala, em cada escola. Sua palavra tem, neste momento, grande im- portância. Por isso, atualizamos sua mensagem, porta- dora da boa-nova e comunicadora da esperança. Ao mesmo tempo em que causam profundo im- pacto em nosso dia a dia e questionam nossa condição de educadores cristãos, suas reflexões nos colocam em contato com a realidade atual, com as dificuldades, 7 oportunidades e desafios que ela nos apresenta, e mos- tram um caminho. Um caminho que nos convida a rever nossa vida de fé e nossa condição de cidadãos construtores do reino nas fronteiras históricas de nossa nação des- de a própria vocação. São palavras dirigidas aos edu- cadores católicos, cidadãos de um mundo complexo que já está no terceiro milênio, em uma situação crítica e dolorosa, na qual também se une, com a morte, a Ressurreição. Para se aprofundar em cada uma das cinco re- flexões reunidas neste livro, os docentes encontrarão leituras que podem ser feitas individualmente ou em grupos, ainda que, quando nos propusemos à edição, tenhamos pensado nos trechos como importante veí- culo de revisão, renovação e encontro no seio da co- munidade educativa. Por fim, só nos resta pedir ao Mestre que pos- samos sorver, mais do que nunca, de seu exemplo, consagrando a vida e o compromisso ao maior man- damento, dar conhecimento a TODOS que nos pedem para conhecer e amar Jesus Cristo. 8 1 Ser educador católico hoje: um grande desafio Testemunhas de Jesus ressuscitado Os educadores cristãos são testemunhas na época da pós-modernidade, envolvidos em uma transi- ção que poderia ser chamada de “cultura do naufrágio”. Este texto, no entanto, não deve trazer pessimismo, mas, sim, o contrário: ele nos propõe um caminho, um desafio e uma vocação. Nessa situação, temos um papel ativo: sermos náufragos. O náufrago sempre está sozinho com seu próprio ser e sua própria história: esta é sua maior ri- queza. Claro que existe a tentação, diante da crise, de reconstruir tudo pela inércia com os restos de um barco que já não existe ou cair na simples repetição ou no esnobismo, tirando a esperança de quem se acomoda nos momentos atuais. O

Recently converted files (publicly available):